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Biblioteca Pública: Transformação da Escola e da Sociedade

17/03/2009

RESUMO 

Buscando resposta quanto ao interesse dos alunos e comunidade escolar pela biblioteca escolar e a literatura incluindo o trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação quanto sua responsabilidade neste processo, nos voltando para o processo de desenvolvimento da língua e da linguagem e a aquisição da cultura literária dentro do ambiente escolar, resgatamos um histórico da prática docente incluindo as políticas públicas e os incentivos dos gestores ao processo. 

Introdução 

O conhecimento sempre foi um instrumento de evolução dentro da história humana encontrando-se em processo evolutivo constante incluindo o processo de armazenamento e disseminação. O estágio em que a sociedade se encontra, considerando desenvolvimento tecnológico é inversamente proporcional ao acesso à informação. Atualmente este aspecto complementar à natureza inerente do homem interfere na capacidade humana de evoluir de modo sustentável e constantemente, prejudicando a distribuição do desenvolvimento, renda e melhores condições de vida. Contudo a apresentação destas desigualdades e a busca por instrumentos que possam diminuí-las consomem energias que se dispersam praticamente em vão no mundo contemporâneo. 

O domínio e a transmissão do saber fazer significam poder, em sua máxima amplitude política no sentido de subjugar o outro ser e, conseqüentemente, apresenta a vantagem da submissão em todas as suas relações. 

Quem domina o conhecimento apresentou condições de acumular poder e riquezas, seja de forma lícita ou ilícita. É pertinente analisar a concentração do conhecimento e o seu acúmulo dentro das instituições religiosas na Idade Média; representados pelos grandes acervos bibliográficos, disponibilizando a história da humanidade através de títulos históricos, tanto da ciência quanto da religião, passando pela filosofia e as artes. 

A transmissão deste conhecimento passou a ser importante e fundamental a partir da necessidade social em dois estágios. No primeiro estágio aumentando a qualidade de vida da população, já no segundo estágio, fazendo com que esta qualidade seja mantida mesmo com o aumento da população a ser atendida. 

Não somente nos aspectos agrícolas voltados para a subsistência, mais principalmente em aspectos políticos, de conhecimento das ciências biológicas, sanitárias, médicas, químicas e afins; incluindo neste rol o confinamento de animais, o desenvolvimento das atividades mercantis e a criação do processo de manufatura foram fundamentais e exemplos clássicos da evolução humana ao longo da sua história. Foram ações humanas dentro dos contextos sociais que apresentaram um aumento significativo na capacidade do homem de produzir e armazenar o conhecimento e proporcionalmente a criação de instrumentos que pudessem seguir esta evolução. 

Desde a Mesopotâmia até o Egito antigo, passando pela China Antiga, os processos de produção de conhecimento através do registro foram se aperfeiçoando até a era dos bytes e bits. O acúmulo das informações disponíveis no mundo atualmente vem ultrapassando nossa capacidade de compreensão, aumentada significativamente em atendimento a uma demanda social crescente e incessante. 

A capacidade de armazenamento e a velocidade do acesso são alguns dos critérios fundamentais para a pesquisa, seja ela acadêmica, mercantil, industrial ou simplesmente em atendimento à curiosidade humana. 

Uma formação cidadã, na amplitude total de toda sua possibilidade, sendo possível uma formação contínua ao longo da existência, exige constantes fontes de conhecimento e divulgação de informações em atendimento as necessidades do mercado. Os objetivos primordiais do cidadão que se insere na sociedade pós-moderna condizem com as necessidades do mercado em atendimento as necessidades de consumo. Essa relação está estritamente conectada a capacidade individual de inter-relação com o meio no qual o cidadão insere-se e qual sua projeção quanto suas necessidades futuras de inserção no mercado de trabalho. 

De toda forma é fundamental aos agentes públicos a oferta de pontos de acesso a informação coletiva onde tenhamos oportunidade de construir coletivamente o conhecimento. Não apenas oferecer acesso a internet, e sim disponibilizar um acervo amplo e diversificado, com suporte profissional e incentivo a sua utilização nos ambientes públicos através de campanhas e programas públicos de incentivo à leitura. 

Uma instituição de ensino público tem condição de adequar-se as necessidades reais e atuais da sociedade, pois sua dinâmica de atuação é flexível e sua estrutura reduzida. 

Posicionando-se entre estas necessidades e demandas, podemos, principalmente os entes públicos, buscar respostas e formas de acesso e divulgação proporcionando o conhecimento em todas as suas formas e amplitudes a todos, pois: 

“Neste aspecto as bibliotecas públicas e das escolas públicas são mecanismos de mobilidade social, pois apresentam, a partir da última metade do século XX, capacidade instrumental de desenvolvimento formal da educação, dos processos democráticos e dos mecanismos de educação social permanente.” (CAMPELLO & CALDEIRA, 2005, p. 106).

Com um trabalho de incentivo ao desenvolvimento dos conceitos de coletividade, solidariedade, empreendedorismo e organização social, estes instrumentos de desenvolvimento social encontram nas entidades de ensino público os subsídios necessários para o amplo e pleno desenvolvimento social que nosso país necessita. 

Desenvolvimento 

As dimensões da biblioteca escolar, no contexto educacional precisam ser assim consideradas: social, informativa, pedagógica, recreativa e crítica, pois encontramos fundamentação legal quanto trabalhamos com incentivo à leitura, em todos os âmbitos, partindo do Governo Federal com a promulgação, em 2003, da Lei n° 10.753, chamada de lei do incentivo à leitura, chegando até a esfera municipal indicando a obrigatoriedade de investimento municipal, com desenvolvimento de iniciativas voltadas para a criação de novos leitores e preservação dos existentes, no âmbito social, acadêmico e educacional. 

No Brasil, a partir da década de 50, conforme CAMPELLO & SANTOS “Passa-se a falar da sociedade da informação, como antes se falara da sociedade da máquina a vapor, da sociedade do carvão ou da sociedade do aço.”. Uma sociedade contextualizada, conectada ao século XXI busca e oferece a sua sociedade instrumentos que possibilitem sua inserção no mercado produtivo, este globalizado. Após cinqüenta anos é fundamental que a sociedade veja a educação e a informação dentro de uma simbiose que possibilite uma construção coletiva do conhecimento e sua responsabilidade para com a transformação social. 

Os processos de seleção das universidades apresentam conexão com os programas de aferição da qualidade da educação pública e do ensino médio. Respondendo, esta iniciativa, a uma necessidade de avaliação que condiz com as políticas públicas educacionais globais, onde a procura por profissionais de excelência não se restringem apenas as barreiras nacionais, mais sim a uma concorrência mundial. Dentro das limitações, o Governo Brasileiro, ao longo da última década, busca alternativas a fim de instrumentalizar o processo de educação no contexto mundial oferecendo um acesso a uma sociedade mais justa e igualitária. 

A biblioteca escola vem em resposta a estes questionamentos e a formação global como exigência mercadológica; oferecendo o acesso à informação e a conexão com o mundo através do monitor do computador sem subjugar a capacidade profissional do professor e a necessidade real de toda a comunidade escolar e sua sociedade. 

Encontrar um meio caminho entre a biblioteca escolar e a biblioteca de bairro é solucionar dois problemas fundamentais: (1) encontrar um acervo bibliográfico que atenda as necessidades locais e que (2) possibilite a sua utilização mantendo-o atualizado em atendimento a crescente e constante demanda social e mercadológica. 

“Brasília possuiu uma pequena biblioteca pública, dita demonstrativa, subordinada à Biblioteca Nacional, além de outras, modestas e de precário funcionamento, subordinadas ao governo local. No final do primeiro semestre de 2003, decorridos 43 anos de fundação da capital, teve início o trabalho de construção do edifício projetado por Oscar Niemeyer para abrigar a biblioteca do Setor Cultural de Brasília, a um custo estimado de 70 milhões de reais, cerca de 24 milhões de dólares. Não se conhecia, até o primeiro semestre de 2004, qualquer projeto operacional para essa biblioteca. Será a biblioteca nacional? Será uma biblioteca pública? Será uma biblioteca de referência? Nem mesmo se sabe a qual órgão estará subordinada.” (CAMPELLO & CALDEIRA, 2005, p. 108). 

Não distante da Capital Federal, as escolas públicas estaduais do Município de Planaltina não oferecem biblioteca escolar, tão pouco o Município dispõe de uma biblioteca pública, muito mesmo um acervo bibliográfico a disposição da sociedade, apenas um amontoado de livros a disposição da sociedade com a conexão de quatro computadores a internet. As características essenciais para qualquer biblioteca, tais como indica CAMPELO e SANTOS (2008): acervo atualizado e diversificado, organização da coleção, auxílio e incentivo à pesquisa, conexão com internet através de equipamentos utilizáveis, espaço físico e profissional adequados estão distantes da realidade dos usuários daquela biblioteca. 

O Governo Estadual, através de uma parceria com o Governo Federal, logo após o início da disseminação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), em atendimento ao Plano Nacional de Educação e ao Plano Estadual de Educação, instituíram um acervo de classe denominado “Cantinho da Leitura”. Não passando de uma estante e um pequeno acervo de bibliografia literária infantil, este programa educacional, “Cantinho da Leitura”, buscou ao longo de 03 anos instituir nas escolas a biblioteca escolar para que as crianças tivessem acesso à leitura. 

Haja vista a necessidade de apresentar aos alunos o conhecimento impresso e desenvolver habilidades e competências essenciais na vida contemporânea buscamos nos acervos de leitura disponíveis em algumas escolas, incluindo a Escola Estadual de Planaltina, oferecer o primeiro contato com a imprensa, a forma, textura, apresentação gráfica e o texto, seja literatura, folclórico ou de atualidade, sendo que, 

“Ao reproduzir o ambiente informacional da sociedade contemporânea, a biblioteca pode, através de seu programa, aproximar o aluno de uma realidade que ele vai vivenciar no seu dia-a-dia, como profissional e como cidadão.” (CAMPELLO, 2008, p. 11) 

Neste aspecto encontramos um ponto crucial, o acervo da sala não apresenta a realidade contemporânea aos alunos, tão pouco representa toda a necessidade de pesquisa para a construção do conhecimento que o cidadão depende na sociedade moderna. Mesmo disponibilizando uma quantidade significativa de títulos, não dispomos de instrumentos capazes de permitir a construção do conhecimento pelo aluno, privando-o do aprendizado significativo. 

Todavia ao apresentar, CAMPELO e SANTOS (2008), a existência conceitual e prática entre Biblioteca Escolar e Acervo de Classe buscamos disponibilizar aos gestores a real necessidade quanto à criação e desenvolvimento de uma biblioteca escolar. Desta forma o Acervo de Classe traduz a necessidade da comunidade escolar expressa na tentativa do educador em apresentar o livro e manter um contato do aluno com este instrumento de acúmulo e transmissão do conhecimento. Entretanto, conforme as autoras expressam, as tentativas tornam-se fracassadas do ponto de vista pedagógico e social, pois não apresentam os instrumentos básicos disponíveis em uma biblioteca escolar. Em alguns casos estes programas governamentais acabam apenas fazer fluir recursos sem objetivos e propostas substanciais. 

Sendo assim, as bibliotecas enquanto públicas devem ser vista como locais de construção e reconstrução do conhecimento através da pesquisa e um centro histórico. Atualmente as bibliotecas elencam em seu acervo uma grande quantidade de instrumentos de registro humano. Salas de exposição e apresentação, cantinhos de brinquedos, laboratório de informática, e tantos outros locais para exposição artística e culturais. As bibliotecas modernas seguem o exemplo da grande biblioteca de Constantinopla apresentando, na versão contemporânea sua vasta gama de conhecimento. 

Entretanto esse mix de possibilidade promove uma reflexão sobre a qualidade do material disponível, pois  

“A facilidade que a Internet (e outros instrumentos) oferece para que ali se coloquem textos (informação) de livre acesso suscita a necessidade de os usuários da Rede se acautelarem quanto à qualidade e confiabilidade das informações que esses textos contêm.” (CAMPELLO & CALDEIRA, 2005, p. 119 – grifo nosso). 

Atentando-nos à quantidade disponível percebemos que nosso atraso cultural não se restringe apenas a qualidade, sendo esta limitação resultado da falta de experiência e contato com as informações e suas construções, e sim também a quantidade de material produzido e distribuído, em todas as suas formas, inclusive referente à sua quantidade. 

“As listas de bibliotecas públicas existentes no país podem chegar a arrolar entre 2.000 e 4.000 dessas instituições. Segundo levantamento feito em 1999, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, quatro de cada cinco municípios possuem bibliotecas públicas. No entanto, 68,6% dos municípios que possuem biblioteca pública existe somente uma. E um percentual ínfimo de 0,8% corresponde aos municípios, onde se encontram mais de seis bibliotecas. Estima-se que haja mais de 1.200 municípios sem biblioteca pública.” (CAMPELLO & CALDEIRA, 2005, p. 108). 

Conclusão 

A formação profissional para educador acaba passando, ao longo dos anos, por grandes modificações. A mesma tendência que apresentou ao Brasil os PCN’s buscou aperfeiçoar a qualidade profissional com a exigência de formação superior, entretanto não observamos exigência mínima de acervo bibliográfico, tanto para leitura quanto para formação de biblioteca universitária, para a formação do professor. 

A leitura, sua interpretação e produção, são resultados da prática que leva ao aperfeiçoamento. Os educadores, em sua grande maioria, conforme pesquisas do Ministério da Educação, apresentam uma pequena quantidade de acesso à leitura, principalmente literatura, pesquisa, ressaltando apenas aos livros técnicos e didáticos. 

Falta de hábito, incentivo, interesse; o fundamental neste ponto é o desenvolvimento de rotinas e experiências a serem transmitidas aos alunos. A indicação, discussão, mobilização social voltada para a leitura é fundamental no ambiente escolar, não somente para com os educandos, mais sim com toda a comunidade, pois “Os PCN reconhecem que a biblioteca é fundamental para o desenvolvimento de um programa de leitura eficiente, que forme leitores competentes e não leitores que leiam apenas esporadicamente.” (CAMPELLO, 2008, p. 17) 

Os educadores e educandos, para CAMPELLO e SANTOS, vêem corroborando com a escola tanto quanto os programas governamentais, de incentivo à leitura, pois não tem, de maneira geral, conseguido transformar a criança e o jovem que lêem em leitores críticos. 

“[...] De acordo com Edmir Perroti, professor da USP e um dos mais importantes especialistas em estudos sobre leitura no país, a questão da formação de leitores na escola abarca, basicamente, duas ordens de problemas, nem sempre trabalhados em profundidade: a primeira, questão de fundo, refere-se ao tratamento dado à infância que, via de regra, é considerada como mera consumidora do mundo criado pelo adulto; a segunda relaciona-se com o acesso ao livro e à leitura, e implica na existência de uma boa escola, bibliotecas funcionando de verdade, sob a direção de um bibliotecário habilitado, bons livros, acesso a boas fontes de informação. Nesse sentido, enxergar a criança como sujeito da cultura, capaz de criar e de reelaborar informações e experiências dentro do processo educativo promovido pela escola significa algo mais do que desenvolver habilidades de decifrar o código lingüístico e garantir (ou obrigar?) o acesso ao livro e à informação.” (CAMPELLO, 2008, p. 21-22) 

Haja vista o exposto acreditamos que a engrenagem se torna cíclica dentro da ótica educacional, pois o investimento no capital profissional reflete a preocupação com a formação de capital social, principalmente na perspectiva educacional. Volta-se a simbiose profissional-aluno e na capacidade de ambos em atender a família e ao mercado produtor sendo a biblioteca uma incógnita fundamental neste parâmetro, pois a habilidade de aprender a aprender é pré-requisito a capacidade de auto-formação e aprendizagem, pois: 

“O bibliotecário e o professor mediadores da leitura devem ser, eles próprios, leitores críticos capazes de distinguir, no momento da seleção e da indicação de livros, a boa literatura infantil e juvenil daquela “encomendada”, com aparência moderna, engajada, mas totalmente circunstancial, cuja fórmula simplificada, abusivamente repetida, desprepara o leitor em formação para a aceitação de outros textos, mais complexos, no futuro.” (CAMPELLO, 2008, p. 23) 

Deste modo, atualmente, a biblioteca pública tem sua utilização na prática docente resultado na transformação discente e da comunidade escolar. Enquanto agente transformadora do ensino, sua história é recente e resgata o enfoque na qualidade do ensino. 

Haja vista o exposto, o estudo teve como objetivo realizar um diagnóstico da produção textual na Escola Estadual de Planaltina, na cidade de Planaltina no Estado de Goiás, considerando-se a prática docente no ensino médio ainda em voga em nossa realidade: 

“[...] Freqüentemente, alunos procuram a biblioteca da escola, quando existente, para “pesquisar” (compilar dados sobre) assuntos indicados em sala por seus professores, sem referências específicas nem acompanhamento docente. Manda-se o aluno “pesquisar” como medida disciplinar e, muitas vezes, para que leia (e copie) determinado assunto, em substituição à explicação do professor. Já nas salas de aula, a maioria dos trabalhos envolvendo leituras tem por meta a “interpretação” de textos, por meio do preenchimento de fichas e/ou da elaboração de redações.” (LEAHY, 2006, p. 14) 

Contudo, a formação continuada em serviço é uma alternativa à prática docente sem qualificação e fora de contexto. A apresentação com intercontextualização das atividades de fomento a leitura e sua dinâmica constante em sala de aula proporcionam um crescimento de todo o ambiente, incluindo a sociedade local. 

Bibliografia 

CAMPELLO, Bernadete; CALDEIRA, Paulo da Terra, (ORG), Introdução às fontes de informação. Belo Horizonte: Autêntica, 2005 (Coleção Ciência da Informação; v. I).

 CAMPELLO, Bernadete et al. (org), A biblioteca escolar: temas para uma prática pedagógica, 2. Ed., 2 reimp. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

 SANTOS, Maria Aparecida Paiva Soares dos, Democratizando a leitura: pesquisas e práticas.  1. Reimp. Belo Horizonte: Autêntica, 2008 (Coleção Literatura e Educação 5).

 LEAHY, Cyana; A leitura e o leitor integral: lendo na biblioteca da escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2006

 KUHLTHAU, Carol; Como usar a biblioteca na escola: um programa de atividades para o ensino fundamental. Tradução e adaptação de Bernadete Santos Campello et AL. 2 ed., 2 reimp. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

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